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O hábito de colecionar de Raymundo Ottoni de Castro Maya tem sua origem nas coleções de moedas, livros e objetos de arte de seu pai. Entre 1920 e 1968 descobriu, colecionou e adquiriu a quase totalidade dos objetos que hoje compõem o acervo dos Museus Castro Maya e que somam aproximadamente 22 mil itens, entre peças, livros e documentos.

Sua atividade como colecionador, iniciada e desenvolvida num período em que, no Brasil, inexistiam galerias de arte e começavam a surgir os primeiros marchands, durou quase 50 anos. As coleções por ele reunidas e que hoje formam o acervo dos Museus, carrega a marca do ineditismo e da peculiaridade.



Brasiliana

Os Museus Castro Maya possuem perto de quatro séculos de Brasiliana em aproximadamente 1.700 imagens avulsas. Às cartas geográficas gravadas a buril por Frederik de Wit, Henricus Hondius, Gio Cassini ou Antonius Gallus, que começam no início dos anos seiscentos, irão somar-se óleos de Muzzi, Frans Post, Bertichen, Vidal, Taunay, Monvoisin, Bauch e Faux; aquarelas, desenhos, guaches e gravuras de Rugendas, Clarac e outros. Merecem destaque as 490 aquarelas e 61 desenhos de Jean Baptiste Debret, adquiridos por Castro Maya em Paris, em 1939 e 1940. (imagem: João Francisco MUZZI, Fatal e rápido incêndio ... o antigo Recolhimento de Nossa Senhora do Parto. 1789. Óleo/tela; 101 x 124,3 cm)

Na Biblioteca também encontram-se algumas das mais importantes publicações dos nossos primeiros viajantes do século XIX: Maria Graham, Maximilian von Wied-Neuwied, Henry Chamberlain, William Gore Ouseley e Victor Frond. Esses livros e álbuns, editados em Paris, Londres e Berlim, guardam cenários do início de um Brasil independente e também de um Rio de Janeiro já consolidado em Capital do Império.

     

Arte Brasileira

Entre as décadas de 40 e 60 Castro Maya formou importante coleção de pinturas, desenhos e gravuras de Candido Portinari, hoje considerada a maior coleção pública desse artista. Reuniu também trabalhos de pintores modernistas como Guignard, Di Cavalcanti, Pancetti e Volpi, algumas obras de artistas mais recentes como Iberê Camargo, Antônio Bandeira e Manabu Mabe, além de esculturas de Bruno Giorgi e Mário Cravo Jr. Também fazem parte desta coleção, pinturas de artistas que reagiam ao rigor formal como Castagneto, Visconti, Batista da Costa e Belmiro de Almeida e esculturas do século XVIII atribuídas a Valentim da Fonseca e Silva (Mestre Valentim).

A concentração nos períodos acadêmico e modernista era equilibrada pelo caráter mais contemporâneo de sua atividade como mecenas. Através das sociedades que fundou, estendeu o apoio aos artistas nacionais, editando e ampliando sua coleção com ilustrações e gravuras de autores renomados, ao lado de nomes ainda não consagrados como Lívio Abramo, Fayga Ostrower, Oswaldo Goeldi, Marcelo Grassmann, Eduardo Sued e muitos outros. Castro Maya interessou-se também pelas manifestações artísticas populares, reunindo peças de Mestre Vitalino e de outros ceramistas nordestinos, agora incorporadas à coleção de arte brasileira e parcialmente expostas no Museu da Chácara do Céu. (imagem: Alberto da Veiga Guignard. Os Noivos. 1937. Óleo/tela; 58 x 48 cm)

     

Arte Européia

A coleção de arte européia teve início no final do século XIX, quando o pai de Castro Maya adquiriu em leilão no famoso Hotel Drouot, em Paris, telas de paisagistas franceses, entre os quais Courbet, Belangé e Rousseau. Como membro fundador da Société des Amis de L´Eau-Forte sua coleção foi acrescida por gravuras originais de artistas franceses. Entre 1900 e 1921, viria a ampliar a coleção com pinturas de Troyon, Rosa Bonheur e Ziem entre outros.

Herdeiro dessa coleção, Castro Maya continuou a adquirir obras de arte européia. Aos gravadores e paisagistas oitocentistas acrescentou o dandismo de Constantin Guys, o impressionismo de Claude Monet e Berthe Morisot, a modernidade da Escola de Paris. Entre as décadas de 40 e 60 adquire pinturas, desenhos e gravuras de artistas consagrados entre eles Picasso, Matisse, Modigliani, Seurat, Degas e Miró.

Formou-se, assim, um magnífico acervo, que vai do paisagismo à abstração, passando pelo impressionismo, fovismo, cubismo, pontilhismo e surrealismo. Na coleção de arte européia encontram-se ainda peças avulsas como um torso helenístico do século IV a.C e os Blackamoors, esculturas decorativas feitas na Veneza setecentista. (imagem: Amedeo MODIGLIANI. Retrato de uma jovem viúva , c. 1900-1920. Aquarela e nanquim)

     

Arte Oriental

A coleção de arte oriental, com cerca de 400 peças, inclui obras de diversas procedências e oferece uma visão geral da arte do Oriente.

O acervo de esculturas - em bronze, ferro e pedra - possui alguns exemplares raros e representa vários períodos da História da Arte das milenares culturas chinesa, indiana e indochinesa. Quanto à pintura, tem na paisagem e nos temas religiosos sua principal fonte de inspiração. Na coleção dos Museus Castro Maya, é representada por obras provenientes da China, da Índia e da Tailândia, abrangendo do século XIV ao XIX. Destaca-se um conjunto de xilogravuras de Hokusai, Kiyonobu e Hiroshige, importantes artistas japoneses dos séculos XVII-XIX, bem como um afresco e trabalhos a têmpera e nanquim chineses.

A coleção de cerâmica oriental reúne peças de porcelana de exportação, como a louça Companhia das Índias, cujas formas e padrões decorativos atendiam ao gosto europeu e conferiam requinte à vida cotidiana no Ocidente, além de exemplares da tradicional arte cerâmica do Oriente. São poucas as peças de mobiliário oriental na Coleção. Destacam-se algumas mesas e dois biombos, muito utilizados nas culturas chinesa e japonesa. (imagem: Hiroshige. Fukuroi, c1850. Xilogravura em cores)

     

Artes Aplicadas

A coleção de mobiliário confirma o interesse de Castro Maya pelas diversas formas de manifestação artística. Além de alguns móveis orientais, reuniu expressivo conjunto luso-brasileiro dos séculos XVIII e XIX, compartilhando o gosto pela arte colonial surgido a partir dos anos 20. A coleção conta ainda com móveis modernos brasileiros adquiridos para complementar a ornamentação dos ambientes e atender às necessidades da vida cotidiana do colecionador.

De origens diversas, a coleção de prataria - brasileira, portuguesa, inglesa e francesa, dos séculos XVIII ao XX - é constituída de objetos de toucador, peças de decoração e obras de prataria religiosa. Os cristais são, na sua maioria, peças de uso comum utilizadas à mesa ou como elementos decorativos da arquitetura e dos interiores. Tapetes Persas ou Iranianos, Caucasianos, Turcos ou da Anatólia e Paquistaneses, tapeçarias e uma colcha indo-portuguesa do século XVIII compõem a coleção de têxteis reunida por Castro Maya. (imagem: Canapé, Brasil, final do século XIX.)

     

Azulejaria e Louça do Porto

A partir de 1920, dentro da proposta neo-colonial, houve uma revalorização do uso do azulejo. No conjunto arquitetônico e paisagístico que compõe o Museu do Açude, essa tendência pode ser observada na azulejaria dos séculos XVII ao XIX, seja em painéis que decoram o interior e exterior da antiga residência, como em bancos de jardim e fontes, provenientes da França, Holanda, Portugal e Espanha; e nas peças de cerâmica conhecida como louça do Porto, tipo de faiança ornamental, fabricada a partir do século XIX nos centros cerâmicos portugueses do Porto e de Vila Nova de Gaia. (imagem: Caçadas, painel, 1701-1800. Cerâmica esmaltada.)

     

Biblioteca Castro Maya

A Biblioteca, um dos ambientes que fazem referência à antiga residência de Santa Teresa, possui cerca de oito mil títulos entre coleções de literatura brasileira e européia, principalmente francesa; publicações dos primeiros viajantes do século XIX: Maria Graham, Maximilian von Wied-Neuwied, Henry Chamberlain, William Gore Ouseley e Victor Frond, editados em Paris, Londres e Berlim, e que guardam cenários do início de um Brasil independente e, também de um Rio de Janeiro já consolidado em Capital do Império. Há também livros de arte como o Jazz de Matisse, assim como ilustrações originais de Picasso e Seurat; e nos livros que editou, como A Muito Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, com aquarelas inéditas de Debret, Floresta da Tijuca, ou os livros que fazem parte da coleção Os Cem Bibliófilos do Brasil, de autores brasileiros consagrados - como, por exemplo, Machado de Assis, José Lins do Rego, Manuel Bandeira, Jorge Amado, Manuel Antonio de Almeida -, ilustradas por Portinari, Aldemir Martins, Di Cavalcanti, Darel, para citar apenas alguns.

     

Sociedade Os Cem Bibliófilos do Brasil

Fundada em 1943, a Sociedade Os Cem Bibliófilos do Brasil editou 23 obras de literatura brasileira, ilustradas por grandes nomes de nossas artes plásticas. Além dos 100 exemplares dos sócios, Castro Maya editava um número especial com os originais das ilustrações. Muitas matrizes, após serem inutilizadas para futuras publicações, foram arrematadas por ele nos leilões da Sociedade. O acervo relativo aos Cem Bibliófilos ainda inclui estudos, provas de estado e originais não utilizados nas ilustrações e cardápios dos banquetes de lançamento dos livros.

    Obras editadas pela Sociedade

    1943
    Joaquim Maria Machado de Assis
    Memórias Póstumas de Braz Cubas
    Ilustrações de Cândido Portinari

    1944-1945
    Antonio de Castro Alves
    Espumas Fluctuantes
    Ilustrações de Santa Rosa

    1948
    Affonso Arinos de Mello Franco
    Pelo Sertão
    Ilustrações de Livio Abramo

    1949
    Domingos Olympio
    Luzia Homem
    Ilustrações de Clovis Graciano

    1950
    Afrânio Peixoto
    Bugrinha
    Ilustrações de Heloisa de Faria

    1951
    Olavo Bilac
    O Caçador de Esmeraldas
    Ilustrações de Enrico Bianco

    1952
    Herculano Marcos Inglez de Souza
    O Rebelde
    Ilustrações de Iberê Camargo

    1954
    Manuel Antonio de Almeida
    Memórias de um Sargento de Milícias
    Ilustrações de Darel Valença Lins

    1955
    Afonso Henrique de Lima Barreto
    Três Contos
    Ilustrações de Cláudio Corrêa e Castro

    1956
    Euclides da Cunha
    Canudos
    Ilustrações de Napoleon Potyguara Lazzarotto, dito Poty

    1957
    Mario de Andrade
    Macunaíma, O Herói sem nenhum caráter
    Ilustrações de Carybé

    1958
    Gabriel Soares de Souza
    Bestiário, trechos do tratado descritivo do Brasil em 1587
    Ilustrações de Marcello Grassmann

    1959
    José Lins do Rego
    Menino de Engenho
    Ilustrações de Cândido Portinari

    1960
    Manuel Bandeira
    Pasargada
    Ilustrações de Aldemir Martins

    1961
    João Barbosa Rodrigues
    Poranduba Amazonense
    Ilustrações de Darel Valença Lins

    1962
    Aníbal Monteiro Machado
    Cadernos de João
    Ilustrações de Maciej Antoni Babinski

    1963
    Jorge Amado
    A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água
    Ilustrações de Emiliano Di Cavalcanti

    1964
    João Guimarães Rosa
    Campo Geral
    Ilustrações de Djanira da Mota e Silva

    1965
    Joaquim Maria Machado de Assis
    Quatro Contos
    Ilustrações de Napoleon Potyguara Lazzarotto, dito Poty

    1966
    Jorge de Lima
    As Aparições
    Ilustrações de Eduardo Sued

    1967
    Augusto Frederico Schmidt
    Ciclo da Moura
    Ilustrações de Cícero Dias

    1968
    Osório Duque Estrada
    Hino Nacional Brasileiro
    Ilustrações de Isabel Pons

    1969
    Jorge Amado
    O Compadre de Ogun
    Ilustrações de Mario Cravo Jr.

      




 
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