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Castro Maya, o Patrono

Empresário bem-sucedido, Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) soube conciliar atividades tradicionais, como o comércio atacadista de tecidos, com a abertura de novas frentes industriais, caso da produção de óleo de linhaça para uso industrial (da famosa marca Tigre), até então exclusivamente importado da Inglaterra e da Holanda. Sua grande empresa - Cia. Carioca Industrial - era dedicada também ao fabrico de óleos vegetais, ficando conhecida por seu produto mais popular, a Gordura de Coco Carioca.

Muito se pode falar de Castro Maya - bacharel em Direito, industrial, esportista e incentivador dos esportes, pioneiro da preocupação ecológica, editor de livros, colecionador, fundador de museus e sociedades culturais e defensor do patrimônio histórico, artístico e natural. Filho do engenheiro Raymundo de Castro Maya - homem culto, pessoalmente convidado por D. Pedro II para ser preceptor de seus netos, e renomado técnico da Estrada de Ferro D. Pedro II (conhecida como Central do Brasil) - e de D. Theodozia Ottoni de Castro Maya, herdeira de tradicional família de liberais mineiros, Raymundo Ottoni de Castro Maya nasceu em Paris e para lá retornou diversas vezes, o que lhe proporcionou uma grande intimidade com a cultura européia e, particularmente, a francesa.

A única vez que ocupou um cargo público foi em 1943, quando o prefeito do Rio de Janeiro, Henrique Dodsworth, convidou-o para coordenar os trabalhos de remodelação da Floresta da Tijuca. Por um salário simbólico, nosso one dollar man, como ficou conhecido, dispôs-se a dirigir a obra de reforma e urbanização desse grande parque florestal. A eficiência de sua administração refletiu no espantoso afluxo da população ao novo parque urbano que, em 1946, chegou à média de 5.000 visitantes por fim de semana.

Foi, entretanto, a sua atividade como colecionador que nos legou os registros materiais desse esforço. O apoio a valores artísticos nacionais e a busca do acesso público às suas coleções tornavam-no um tipo de mecenas moderno e urbano, comprometido com a cidade em que vivia. A criação da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, em 1943, preencheu um hiato cultural através da edição de 23 livros, e a fundação da Sociedade Os Amigos da Gravura, em 1952, contribuiu para difundir o gosto pela gravura, enquanto manifestação artística.

É igualmente importante destacar a sua participação na fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1948, do qual foi o primeiro presidente; a coordenação da comissão organizadora do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, em 1964/65; o trabalho na Câmara do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Conselho Federal de Cultura, para a qual fora nomeado em 1967; a edição dos livros de Debret (Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, 1954) e de Gilberto Ferrez (A Muito Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 1965); a publicação do livro de sua autoria sobre a Floresta da Tijuca, em 1967; e finalmente a criação da Fundação Raymundo Ottoni de Castro Maya, em 1963, com a abertura do Museu do Açude (1964) e do Museu da Chácara do Céu (1972).

     



As Casas que viraram Museus

Os Museus Castro Maya - Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa, e Museu do Açude, no Alto da Boa Vista - integram hoje o conjunto de museus pertencentes ao Instituto Brasileiro de Museus, do Ministério da Cultura. Residências de Raymundo Ottoni de Castro Maya, foram por ele doadas à Fundação que levou seu nome. Criada em 1963, foi extinta em 1983 quando ambos os museus, incorporados pela União, deixaram de ser uma Fundação para constituírem os Museus Castro Maya.

A filosofia dos Museus da Chácara do Céu e do Açude foi elaborada a partir da ampliação do conceito de patrimônio - que atualmente inclui, além dos bens móveis e imóveis de valor histórico e artístico, o meio ambiente e os chamados bens não tangíveis, como a língua de um povo, suas tradições, costumes, conhecimentos técnicos e experiências práticas - e da moderna teoria museológica, que considera como principais responsabilidades dos museus a Preservação-Pesquisa-Educação-Comunicação. Assim, foi definido para cada um dos Museus Castro Maya um trinômio que identificasse sua prática cultural específica.

Para o Museu do Açude estabeleceu-se o trinômio Museu-Natureza-Cidade, justificado não apenas pelo aspecto óbvio de sua localização na Floresta da Tijuca, como também, e sobretudo, pelos nexos históricos de Castro Maya com a Floresta e pela atualidade da questão da preservação do patrimônio natural. Sendo o museu um fato tipicamente urbano, nada mais apropriado do que refletir sobre essa floresta urbana, remodelada por seu patrono em 1943, como mais um elemento da complexa cidade do Rio de Janeiro que, segundo mostram as obras dos viajantes que Castro Maya colecionou, inclui, desde o século XVIII, a natureza em seus contornos urbanos.

Assim, cabe ao Museu do Açude desenvolver e apoiar atividades que possam articular temas como educação ambiental, turismo ecológico, estudos do meio ambiente, além da criação do Espaço de Instalações Permanentes: um circuito museológico ao ar livre com obras de artistas brasileiros contemporâneos.

Para o Museu da Chácara do Céu foi definido o trinômio Museu-Arte-Cidade. A excelência do seu acervo artístico e iconográfico conduz ao compromisso básico com a fruição estética. O caráter original de residência foi mantido, buscando-se preservar a disposição da sala de jantar e da biblioteca e reservar outros espaços para exposições temporárias do acervo, priorizando assim colocar o maior número possível de peças ao alcance do público.

Cabe a esse museu desenvolver e apoiar atividades educativas, exposições, eventos e pesquisas que apresentem a arte e a cidade em sua relação de mútua dependência. Dessa forma, a prática de difusão cultural alcança a dimensão política de reflexão e desenvolvimento da cidadania.

 



                



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